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Central Critica A Bola Preta – Representante da Espanha para o Oscar 2027 é forte favorito ao ser um Ainda Estou Aqui queer

O que você lembra do passado do seu país? E quando se faz essa pergunta, não é dos bons momentos e das maravilhas. Mas sim, do lado negro e obscuro que muitos tentam esconder ao longo dos séculos. Ainda Estou Aqui, que é um produto nosso, é um exemplo bem claro disso. E claro que a história de Eunice Paiva, reveberou pelos quatro cantos do mundo e inspirou outros países e a Espanha, é o país que tem um relato que mais se aproxima de Eunice, Rubens e Marcelo. Só que diferente do que foi o nosso relato, aqui envolve a questão do desejo sexual.

Escrito e dirigido por Javier Calvo e Javier Ambrossi, A Bola Preta se passa entre três décadas distintas (1932,1937 e 2017) e conta a história de três homens que estão ligados pela dor, pelo amor e pela herança. Carlos (Guitarrica-delafuente), que vive entre os anos de 1932 e 37, Rafael (Miguel Bernardeu), que aparece para Carlos em 1937 e José (Carlos Gonzaléz), que é descendente de Rafael e vive sua vida plena como um homem gay em 2017.

Divulgação: Paris Filmes

Com essa premissa estabelecida, A Bola Preta instiga o telespectador a descobrir o que une esses três homens e a medida em que o filme vai passando, o publico vai entendendo que é uma história potente sobre guerra, amor e resistência. Pegando pela linguagem mais moderna do cinema brasileiro, que é parceiro do cinema espanhol, o que a dupla de Javiers quiseram contar aqui, é uma espécie de Ainda Estou Aqui Queer. Só que ao contrario da história da família Paiva, esse filme tem a função de conscientizar a geração de hoje, o que foi os horrores da GUERRA CIVIL DE 37 e a REVOLUÇÃO MILITAR DE 32 e como era naquela época, ser uma pessoa da comunidade LGBT. E o contraste mais bacana que o filme mostra, é quando vemos como o Carlos se comporta como homem gay retraído em 32 e 37, e como José vive hoje em dia. Outro ponto interessante de A Bola Preta, está na fotografia do JUI, que dividindo pelas décadas, traz uma definição de cor para cada uma: 1932 = Quente e bem iluminada, 1937 = Fria e Cinzenta, mas com lampejos de luz, para mostrar a resistência de Carlos, 2017 = Uma mescla das duas que vai evoluindo com a história do José, que começa com uma tonalidade mais fria e monótona e a medida em que ele vai se aprofundando na historia de Rafael e da Bola Preta, a tonalidade vai ganhando mais luz e tonalidades um pouco mais quentes.

Outro ponto que ressalta o quão poderosa é essa história, é o choque que ela causa logo de inicio, ao trazer para quem não conhece, a Guerra Civil Espanhola, onde uma Espanha polarizada, causa medo e repressão, uma memória que voltou recentemente e que casa bastante com os tempos atuais, principalmente no Brasil. Além disso, a maneira como a comunidade Queer era maltratada nos anos 30, é mostrada pela repressão que o Carlos sofre do pai em 33 e que estamos vendo agora com o Mau Mau em Quem Ama Cuida e muito disso, vem do Guitarrica-delafuente, que traz um Carlos potente em sua essência, que embora teve que resguardar e jogar no lixo a força seu desejo sexual, ele nunca foi embora e o ator demonstra isso de uma maneira espetacular.

Divulgação: Paris Filmes

Quem também está MA-RA-VI-LHO-AS nesse filme, embora ela faça uma participação de três cenas basicamente, a Penelope Cruz está, pelo clichê da palavra, uma verdadeira força da natureza fazendo uma vedete, que traz ares inspiradores de personas como Rogéria, Elkie Maravliha e outras personalidades queer do século passado. Inclusive, quando a personagem da Penelope entra em cena, ela vem como um  furação e traz uma luz e uma força para o Carlos, que finalmente percebe que mesmo no meio da guerra, a comunidade queer ainda encontra forças para resistir. Já a participação da Glenn Close, embora ela seja decisiva para o andamento da história do neto do Rafael e o seu espanhol tá muito bom pra caramba, é uma atuação mais confortável pra ela e que não precisa ir muito a fundo.

A Bola Preta é um filme poderoso e potente, que tem tudo para fazer história no Oscar e abocanhar as indicações de Melhor Filme Internacional, Melhor Atriz Coadjuvante para a Penelope e quem sabe Melhor Filme? Parece que Feito Pipa tem um pepino sério nas mãos para descascar, caso ele e A Bola Preta entrem na shortlist e na lista oficial do Oscar.

NOTA:

Divulgação: Moviestar Plus
Divulgação: Paris Filmes

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