Eles atravessaram gerações desde os anos 30 e agora chegam em 2026 dispostos a conquistarem uma nova geração, com direito a polemicas com o estudio do qual eles são o símbolo máximo! Os Looney Tunes são figuras animadas que animaram as manhãs dos brasileiros em emissoras como Globo e SBT entre os anos 80 e 2000, incluindo até alguns filmes live-action como Space Jam e Looney Tunes: De Volta á Ação. Mas depois da pandemia, a Warner Bros planejava voltar com o Pernalonga e sua turma com um novo filme live-action depois do fracasso de Space Jam 2: Um Novo Legado e do sucesso da animação O Dia em que a Terra Mudou.
Então, foi criado, filmado e pós-produzido, Coyote vs Acme, uma produção em live-action baseada em uma coluna do NY Times, onde o Coyote processava a empresa Acme, por lhe vender produtos que sempre davam defeito na hora de caçar o papa-léguas. Só que aí, entrou na Warner, o David Zaslav, que fez toda uma onda de cortes e decidiu jogar fora vários filmes que já estavam prontos, como esse e o filme da Batgirl com o Brendan Fraser que a gente nunca vai ver. Mas então, os fãs se determinaram a fazer esse filme do Coyote ver a luz do dia e enfim, ele chegou aos cinemas graças a uma pequena produtora chamada Ketchup Entreteniment e aqui no Brasil, o filme foi lançado pela Paris Filmes.

Coyote vs Acme segue o advogado fracassado Wade Avery (Will Forte), que é contratado pelo Will E. Coyote para processar a mega corporação Acme, que sempre lhe forneceu produtos que deram errado na hora de caçar o Papaléguas. Avery aceita o caso crente de que irá perder, só que bater de frente com a Acme, vai trazer grandes confusões, já que os executivos da empresa, querem abafar o caso de qualquer maneira! Desde os anos 80, quando se teve o filme Uma Cilada para Roger Rabbit, vários estúdios correram para fazer um hibrido de animação com atores de carne e osso nos cinemas e isso rendeu algumas pérolas como Space Jam, Looney Tunes: De Volta á Ação, Bob Esponja: Um Herói Fora Dágua e Tico e Teco: Defensores da Lei. E desde então, não se sabia se o mundo queria novamente um filme dos Looney Tunes, ainda mais com a geração de hoje, que só quer ver as coisas no modo 2x e com menos de 3 minutos.

Mas felizmente, Coyote vs Acme veio para mostrar que os Looney Tunes ainda funcionam pra caramba em 2026 ou em qualquer época. E esse filme, ele é feito para os dois públicos. Tanto para o velho, que vai rir alto e sentir o coração quentinho. Quanto para o novo, que com certeza irá atrás de mais informações e episódios desses seres tão engraçados. O roteiro do Samy Burch, que também cuida do argumento ao lado de James Gunn, é bem simples ao se utilizar da formula de filme de tribunal e adicionar o ingrediente maluco que são os Looney Tunes e todo arco do Coyote em querer pegar o Papaléguas, que aqui é tratado como ser imortal. Sem muita reinvenção da roda, o filme aposta naquele humor sagaz dos Looney e faz muito bem ao colocar o Pernalonga, o Patolino e outros personagens animados como coadjuvantes que ajudam a trama andar. Além disso, o roteiro também se diverte ao usar a Acme como recurso para fazer uma forte critica disfarçada ao capitalismo de Hollywood, que só quer lucrar em cima da felicidade das pessoas e esconder a sujeira debaixo do tapete, que é meio o que aconteceu na vida real com esse filme e a Warner. Já o elenco, também manda muito bem com a seriedade cômica do Will Forte, o otimismo exagerado da Lana Condor e o egocentrismo engraçado do John Cena, que representa a parte jurídica da Acme. Os efeitos especais também estão um sabor, a mistura de animação 2D com 3D tá muito gostosa e filme fica saboroso quando você vê ele no idioma dublado, pois quase todos os dubladores dos Looney estão lá para você matar as saudades.

Coyote vs Acme é um ótimo respiro para você aliviar a cabeça, matar as saudades dos personagens que você mais ama e ainda se divertir sem preocupar com os honorários do seu advogado ou pagar para os mega monopólios da WarnerAcme.
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