Nada melhor do que começar o primeiro dia de exibições do Cine PE 2026, do que com um boa noite nordestina de curtas e longa-metragem. Nessa noite, foram exibidos os curtas: Os Ursos e Nós, Velha Roupa Colorida, Mercado Central, Os Arcos Dourados de Olinda e o longa BuenosAyres, todas as produções de estados do nordeste. Mas olhando para cada produção especificamente, embora cada uma fosse de um gênero diferente, todas elas estavam conectadas pelo amor a algo. Amor á cultura e as tradições, amor ao que gosta de fazer e ao que se é, amor á si próprio e amor a uma cidade e a um ideal político também porque não.
Misturando um pouco a ordem de exibição dos curtas, ranqueando as obras da mais bem feita para a mais “fraca” e não ruim diga-se de passagem. A melhor foi sem sombra de duvida, Os Arcos Dourados de Olinda, que conseguiu com muita proeza, misturar humor, critica social e política, numa Big Macoincidência, que navega pela inocência e pelos tempos áureos de felicidade e dificuldade do povo Olidense dos anos 2000 através do roteiro do diretor do filme Douglas Henríque e do roteirista Aaron Hochman. Mais que uma carta de amor a um lado político, o filme é uma carta de amor a terra dos altos coqueiros e não é a toa que todo festival de cinema por onde passa, o filme está sendo muito bem recebido e acalorado por causa do seu tom conspiratório e da narração que é fantástica e complementa o filme. Além do mais, quem cresceu nos anos 2000, vai pegar muita referência musical e até material de uma época que parece estar voltando com as novas gerações.
Saindo um pouco desse mundo capitalista e fast-foodiano, vamos agora para o Maranhão falar sobre o Mercado Central, uma produção de suspense e fantasia que fala sobre amor próprio e que aposta em uma linguagem que aponta para todos os lados. Porque ao mesmo tempo em que a obra de Táissa Dhur navega pelos corredores do Mercado Central de São Luis no Maranhão, ela traz várias referências a obras do Claudio Assis e principalmente, a filmes slasher dos anos 80 e 90 e a filmes do Tarantino, que usam e abusam do sangue sem medo de ser feliz. E além disso, o amor a si próprio e sobre o poder que você tem sobre os outros, que é isso que a protagonista vivida por Táissa passa ao longo do curta.
Mudando o mood, o clima e até a cidade dessa noite de curtas, vamos falar sobre Velha Roupa Colorida, um curta queer pernambucano, que fala sobre uma amizade que nasce a partir do amor pela costura na cidade de Bezerros. Com um tom bem leve e gostoso, típico de filmes da sessão da tarde em que você senta com um toddyinho e um sanduíche, o curta de Pedro Rodrigues e com roteiro de Eduardo Santiago traz uma história que, embora não teve um orçamento muito alto, consegue construir uma base solida para um Road movie queer sensacional e que lembra muito Priscila: A Rainha do Deserto e Pequena Miss Sunshine. Afinal, o que a estrada reserva para Gabriel (Lucas Carvalho) e Beto (Beto Aragão)?
E por fim, chegamos ao curta da La Ursa, esse ser místico de Pernambuco que está sempre pedindo dinheiro e espalhando felicidade durante e até depois do carnaval. Embora não explique por completo a origem da La Ursa, o foco de Os Ursos e Nós da Maria Acselard, é em mostrar, meio que rapidamente o estilo de vida de uma comunidade e o seu amor pela tradição da La Ursa, conectando ancestralidade, tradição e cultura de geração para geração. A Nordeste Night foi um esplendor para começar os trabalhos do Cine PE 2026 que nesse ano está completando 30 anos. Uma maneira bonita de declarar amor as raízes e as história de uma região brasileira que declara seu amor ao passado, mas também ao futuro da nação.
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