Gravada há dois anos atrás e com uma demora intensa, o remake da novela Dona Beija da extinta Rede Manchete finalmente ganhou a luz do sol e da lua na HBO Max com um nome um pouco mudado Dona Beja. Do dia 02 de fevereiro até o dia 23 de março, foram 40 capítulos de muita história, fogo e revolução para ser apresentada as novas gerações e chegou a hora de avaliar se esse novela foi realmente boa ou não.
Dona Beja se passa em Araxá, uma cidade no sertão da Bahia e conta a história de Ana Jacinta de São Tomé, uma jovem que tinha um futuro brilhante pela frente, até ela ser seqüestrada, violentada e enganada. Anos depois, ela volta para Araxá linda, rica e determinada a se vingar de toda a cidade que um dia lhe maltratou. E para dar uma lição nos coronéis que sempre lhe ameaçam, ela abre um bordel na cidade, chamado de Chacara do Jatobá e a partir daí, ela começa a ter toda Araxá na sua mão.

Só de se olhar para esta sinopse, já dá pra ver que Dona Beja não é história pra qualquer um. Enquanto na versão de 1986, a trama já causava um ofurô com algumas cenas polemicas, esse remake escrito por Daniel Belinsky e Antônio Barreira manteve as polemicas do original e ainda deu uma boa atualizada, colocando pessoas negras para assumirem cargos no poder publico brasileiro. Além disso, esse remake tratou, sem nenhum pudor, de vários temas como: Racismo, Homofobia, Feminismo, Misogenia, Gordofobia e até Machismo. Como a história se passa nos anos 1920, o roteiro se aproveita disso para fazer um ótimo paralelo entre o conservadorismo e a hipocrisia que o cerca. Um bom exemplo disso, é o Surubão dos Coronéis, que acontece na noite anterior e que logo no dia seguinte, eles fingem que nada aconteceu. E isso é feito durante toda a novela, o que é um ponto maravilhoso!
Outro ponto que temos que dar os parabéns, é para a equipe de figurino, caracterização, produção de arte, produção musical e até a fotografia dessa novela, que basicamente passou a vibe de Bridgerton, só que com o molho brasileiro, que é bem mais apimentado e as cenas de sexo entre todos os personagens foram muito bem feitas e algumas delas, funcionando quase que como um teatro, o que diferencia um pouco de Heated Rivalry, onde o sexo já passa uma sensação de realidade. Sobre os pontos negativos, que já pra gente se livrar deles, a novela fica andando em círculos várias vezes e essa barriga, acaba sendo muito perceptível e faz com que você queira que Dona Beja tenha 30 capitulos ao invés de 40.

Sobre o elenco, todos estão de parabéns, com destaque para Grazi Massafera, que conseguiu honrar o legado da Beja da Maitê Proença, trazendo uma enorme diferença da Dona Cobra de Três Graças e ainda dando boas camadas a personagem que desafia tudo e todos pela igualdade. Outro que também se destaca aqui é o João Villa como o boticário Fortunato, que todas as histórias é sem sombra de duvidas a mais fofa que eu já vi, embora acabe de maneira trágica, sendo que hoje em dia, o audiovisual está mostrando que casais queer merecem ser felizes também. E por fim, temos o Felizardo, personagem feito pelo Tuca Andrada, que destrói na pele desse machista in-su-por-ta-vel e hipócrita e que acaba sendo o espelho da nossa sociedade hoje em dia, que vive matando mulheres, apenas pelo fato delas serem mulheres. Tanto é, que nessa versão temos um serial killer de prostitutas, que trouxe até um dinamismo para a história, mas que não acresenta demais, mas que mesmo assim, ainda deixa um recado importante para nossa sociedade sobre o Não ao Feminicidio.
Dona Beja foi uma novela que quebrou alguns tabus importantes e deixou claro que as mulheres importam sim nesse mundo e que tanto as mulheres quanto os homens, devem se respeitar e respeitar ao próximo, independente do peso, da cor da pele ou da opção sexual.
NOTA

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