Sabe aquele ditado popular que diz, “Muda a cidade, mas não muda o problema”, isso é uma realidade em várias cidades pelo país e também na zona leste de São Paulo, mais precisamente, no bairro da Vila Leopoldina, lugar onde Intervenção direcionou seu foco.
Roteirizado e dirigido por Gustavo Ribeiro, o documentário acompanha a luta dos moradores das comunidades transversais do Nove, da Linha e do Complexo de Cingapura para tocar pra frente um projeto de intervenção para desenvolvimento urbano, onde os moradores dessas comunidades seriam alocados em prédios construídos onde ficam as comunidades e próximo de edifícios de alto luxo para a valorização do bairro.

A crise de moradia é um problema sério que afeta muita gente, seja em São Paulo, Recife, Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro. Cada vez mais, construtoras tem um olhar mais ambicioso por dinheiro e querem subir mais e mais gigantes de concreto. Mas se tem uma coisa que as construtoras nunca notam, é para o preconceito de classes sociais. Um dos pontos fortes que Intervenção tem, é a critica social que é feita sobre os ricos, que só gostam de esnobar os pobres favelados por causa das drogas e da violência, mas que por trás, estão cometendo esses atos. Isso foi até mencionado na critica de Malu, mas aqui, esse tema não é o principal e sim, uma extensão, assim como o preconceito e a união familiar. Os problemas enfrentados pelos moradores das comunidades, que tem que encarar o descaso do poder publico, que poucas horas se torna eficiente, é um problema que acontece a toda hora e o numero crescente de pessoas que vão chegando nos lugares, porque a prefeitura não ajuda. Esse tipo de caso foi levantado em Pele de Vidro, outro documentário que mostra os problemas de São Paulo.

O roteiro e a direção do Gustavo, trazem aquele tempero brasileiro, que é uma mistura de ironia com humor, mas também humanidade, que é uma coisa muito presente no povo brasileiro e isso é visto nos depoimentos, que mostram a força de vontade dos moradores da comunidade em vencer na vida, mas também mostra o ponto de vista de cada um, que hora quer que o projeto Piu aconteça, hora quer o projeto não vá pra frente. Outro positivo na direção do Gustavo, é que ele consegue manter você imerso no que ele está contando, o que faz você olhar poucas vezes para o relógio e até ignorar a vontade de ir no banheiro. E olha que isso só aconteceu comigo uma vez, que foi em Babilônia do Damien Chazelle.
Como morador de uma cidade onde as pessoas enfrentam problemas de estrutura urbana, eu só desejo o melhor para todas as pessoas das comunidades e que elas consigam atingir suas metas e ter o alivio de poder curtir um filme, uma série ou uma novela no conforto da sua casa, sem o medo dos alagamentos.
NOTA: 9,0
E vocês, concordam ou discordam dessa crítica? O que você poderia propor de solução para os problemas de moradia da sua cidade?
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