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Central Critica no Festival do Rio: Malês – Uma nova abordagem do clássico acontecimento histórico, sob o olhar da família Pitanga

O passado do Brasil é cheio de marcas boas e ruins. Incluindo algumas que perduram até hoje. Mas, nunca na história do audiovisual brasileiro, um acontecimento histórico fora da história da família real e da independência do país, foi tratado com tanto cuidado. Presente nos livros de história, a revolta dos malês foi um acontecimento que ocorreu em 1835 e mostrava a revolta das pessoas negras escravizadas e libertas de Salvador contra a escravidão.

Agora, esse movimento ganha as telonas do cinema sob o olhar do mestre Antônio Pitanga, que também estrela a produção ao lado dos seus filhos Camila e Rocco Pitanga e de um grande elenco no filme Malês, que a central conferiu no seu 5º dia no Festival do Rio. Escrito pela autora do remake de Vale Tudo, Manuela Dias, o filme acompanha uma história de amor no meio da Revolta dos Malês, onde dois jovens mulçumanos são arrancados de sua terra natal e vendidos como escravos no Brasil. Vivendo agora num país desconhecido, os dois jovens lutam para sobreviver e se reencontrar no meio de uma revolução em Salvador para acabar com a escravidão.

Divulgação: Tambelini Filmes/Globo Filmes

De início, tenho que atestar que estamos diante do Pantera Negra brasileiro, mas no lugar de vibranium, temos a força e a resistência como super-poderes. O roteiro, que foi desenvolvido durante 17 anos pela Manuela Dias em parceria com o Antônio Pitanga, explora uma visão mais intima da revolta dos Malês e usando também uma história de amor no fundo. Outro ponto maravilhoso, são os diálogos ágeis que a Manuela sempre coloca em seus textos e sempre mesclando com a linguagem africana, que com certeza tem o toque do Antônio.

Divulgação: Tambelini Filmes/Globo Filmes

Já que mencionamos o nome do diretor, vamos falar da direção do Antônio que é majestosa, ao mesmo tempo em que é um grito ao racismo que a população negra do Brasil sofria e que ainda sofrem hoje em dia. E isso fica impresso na maneira como o elenco expressa através do olhar e da fala. Com certeza, se a Viola Davis estivesse aqui no Festival e visse esse filme, ela iria abraçar o Antônio e venera-lo por esse projeto. Sobre o elenco, todos se destacam, mas quem tem um brilho a mais, é o Rodrigo de Odé e o Rocco Pitanga. Já a irmã do Rocco, a Camila Pitanga, ela faz uma personagem que é crucial para a revolta dos Malês, mas que em certo ponto do filme, eu senti que faltava mais cenas dela. Mas no que o roteiro pedia para sua personagem fazer, ela fez com maestria. Agora é esperar para ver ela como a Cruella DeVill da estética em Beleza Fatal da Max.

Divulgação: Tambelini Filmes/Globo Filmes

Não poderia deixar de lado, as participações especiais brancas do filme, que aqui são feitas pelo Kiko Mascaranhas, pelo Erom Cordeiro e pela Patrícia Pilar, que faz novamente a Constância de Lado a Lado. Todos eles conseguem imprimir o racismo que continua até hoje em dia e quando eles se ferram, o gosto de satisfação na cara do publico é totalmente nítido.

Malês é um grito de critica contra o racismo e como disse o Nando Cunha, é um registro audiovisual de um acontecimento que marcou a história negra no Brasil. Ou seja gente, esse é um filme que merece ser guardado numa caixa forte e exibido nas escolas e em várias palestras sobre o passado colonial do Brasil. VIVA A CULTURA NEGRA BRASILEIRA!

NOTA: 9,0

Divulgação: Imovision
Divulgação: Tambellini Filmes/Imovision

E vocês, o que acharam dessa crítica? Deixem seus comentários aqui embaixo com a #CentralCriticanoFestivaldoRio e continuem acompanhando a cobertura do festival no canal do Youtube e nas redes sociais.

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